Olá!
Vem chegando dia do pais e não sabe o que dar de presente para seu pai (incluindo qualquer figura paterna, não necessariamente do sexo masculino*)?  Para mim, aqui da Bahia, o nome "Piangers" não é tão facilmente reconhecível - fui descobri-lo só depois de ler o livro - , mas para o pessoal do sul com certeza é! Conhecendo-o ou não venha dar uma conferida nessa resenha!
O mundo recheado é recheado de pais: pais brincalhões, pais severos, pais divertidos, pais super protetores, pais-que-também-são-mães, pais ansiosos, pais gentis ... E bom, pais que escolhem não ser pais. Mas Marcos Piangers, mais conhecido pelo seu trabalho como radialista no programa Pretinho Básico, escolheu ser pai e ama exercer essa árdua, mas recompensadora, função mais que qualquer outra coisa. Da sua paixão incondicional pelas filhas, Anita e Aurora, veio uma série de crônicas desse dia-a-dia publicadas no Jornal Zero, e, agora, juntas com lindíssimas ilustrações pela Editora Belas-Letras. Você sabe o que o Papai Pop tem a dizer?


Composto por cem crônicas cheias de bom humor, o livro de Piangers vem com uma carga emocional que te pega desarmado, seja você filho(a), pai ou mãe. São crônicas curtas, intercaladas por ilustrações bacanas que acompanham atmosfera aconchegante do livro, como um ombro paciente de pai. 

Curtas e concisas, cada crônica tem um tema e esse foco é mantido - algo que eu considero essencial para curtir uma crônica.  Fala-se de coisas cotidianas, como a saída de uma tarde no shopping ou um apontamento engraçado de uma das meninas, levando sempre a reflexões, de profundidade variada.

Um deles, um dos meus preferidos, é um relato de um casamento. Confira um trecho, que fala por si só:

"Em determinado momento, o mestre de cerimônias moderninho pediu para todo mundo dar as mãos e, na contagem do três, gritar bem alto alguma coisa que desejássemos para os noivos. Todos contaram 'um...dois...três...e' e berraram ao mesmo tempo coisas do tipo 'alegria!', ou 'amo!', ou 'felicidade!'. 
E no meio disso, uma criança de sete anos gritou: 'Diamantes!'.
O que poderia ser melhor que ganhar diamantes? Alegria é passageira, felicidade plena é inalcançável, amor o casal de noivos já está cheio. Desejem aos noivos diamantes! Eles são eternos, e em um momento de necessidade poderão vender alguns para fazer um cruzeiro pelo mundo ou completar o tanque de combustível com gasolina (não aditividade que está muito cara). Dizem que vendendo alguns diamantes se consegue pagar uma refeição no aeroporto, ms não acredito que seja realmente possível".
- Pág 50 (Marcos Piangers, "O Papai é Pop").


E aí surge a pergunta: como dá para se identificar, mesmo não sendo um pai?

De várias maneiras. O autor toca em assuntos que são sentidos em qualquer um. Eu, pessoalmente, pude ver muito da realidade da minha família na crônica "Os Melhores Pais do Mundo", só que no ponto de vista invertido: enquanto uma das crianças da geração de pais extra-cuidadosos, preocupados com a alimentação - bolacha não entra em casa -, com o bem-estar, e sempre inseguros se estão fazendo a coisa certa para educar seus filhos. Em outras, como a "Meninos e Meninas", chegam a tocar ainda mais fundo, quando o autor reflete o que aconteceria se fosse possível definir o sexo da criança. A preferência geral, concluí seria por meninos, uma vez que nenhum pai gostaria de ver sua criança correr qualquer risco e estes dobram caso ela possua nos genes a sequência x-x ou se identifique como tal.

"Olho para minhas filhas todos os dias e lembro que um dia irão crescer. Ganharão salários menores? Serão assediadas pelos chefe? Serão tratadas como pessoas frágeis e incapazes? Terão suas intimidades vazadas na internet? Ou teremos evoluído? O mundo será mais seguro para elas? O mundo será mais justo?
Acho que seria uma evolução tecnológica incrível poder escolher o sexo do seu futuro filho. Mas uma outra evolução precisa acontecer antes disso". (pág 99).

São medos palpáveis e, infelizmente, reais. Me fez imaginar se algum dia meu pai, que assim como Piangers, é pai de duas filhas, já teve esse frio da barriga. Decerto que sim. Como bem dito no texto de introdução, escolher ser pai - no sentido daquele que acolhe, não necessariamente o gera - é uma decisão otimista. "Ter filhos é ter fé de um futuro melhor". (pág 18).

E o que faltou no livro? Mais crônicas! Espero que futuramente a Belas-Letras possa lançar outro livro do autor, mais recheada de crônicas divertidas, ácidas e inteligentes.

Obs: E tenho que dizer: parabéns Piangers, você me deixou com muita vontade de ler algum livro de Kurt Vonnegut! São várias as citações dele ao longo das páginas,




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