"O Visconde Que Me Amava" é o segundo volume da série "Os Bridgertons", da autora mundialmente conhecida pelos seus romances históricos, Julia Quinn. Ainda não li "O Duque e Eu", mas não resisti quando vi esse livro na Americanas por R$19,90 e comprei.




Anthony Bridgerton não teme a morte. Depois de ver, ainda muito jovem, seu pai ser tomado por ela abruptamente e de forma tão simplória, ele decide viver para o momento e desfrutar de cada segundo. Por isso talvez, desconfia, que tenha recebido o título de Libertino, com "L" maísculo, pela Lady Whistledown, a colunista de fofocas mais conhecida entre a alta sociedade de Londres. Apesar de nunca ter gostado do título, agora essa má reputação o preocupa também, já que é a coluna mais confiada entre as senhoritas solteiras e suas mães, mais famintas por arranjar bons casamentos que as próprias filhas, e ele pretendia, enfim, acomodar-se num casamento estável. 

Enquanto isso, numa casa alugada de um bairro nobre de Londres, as irmãs Kate e Edwina Sheffield se preparam para debutar. Kate tem 21 anos e é considerada quase velha demais para encontrar uma boa proposta de casamento, já que ela preferiu esperar que a meia-irmã tivesse idade o suficiente para debutarem ao mesmo tempo, assim economizando o dinheiro da família  que já anda bem curto. E não demora para que vários pretendentes batam à porta das Sheffield; todos à procura de Edwina, é claro, a eleita mais bela da temporada. Entre eles, o visconde de Bridgerton, o pior libertino da cidade.

Agora Kate precisa encontrar uma forma de afastá-lo, antes que ele possa comprometer para sempre a felicidade da irmã mais nova, entrando num jogo de provocações com esse homem cínico - e bem decidido do que quer -, que se parece tanto com ela, sem se levar a cometer gafes  que podem manchar a própria reputação.

Informações:
Número de Páginas: 304 | Editora: Arqueiro| ISBN-13: 9788580411973




Fazia tempos que eu me pegava ávida por conhecer os livros de Julia Quinn. Ok, romances não estão em predominância na minha estante, mas, ainda assim, ficava curiosa em descobrir como eram os livros dessa autora definida como a "Jane Austen contemporânea", sem falar na minha paixão quase incondicional por tudo que se refere ao século 19.

E é na Inglaterra, nos meados do século 19, que essa disputa de gato e rato começa.
Na temporada de 1814, o visconde de Bridgerton decide que é hora de se ausentar da vida de libertino, a qual seguia com afinco - o que fez-lhe acumular uma reputação forte entre os bares e mulheres -, e procurar uma noiva para estabelecer-se num casamento adequado. Tem em mente que precisa criar um legado, sendo o herdeiro da família, mas não se imagina de forma alguma ultrapassando os 38 anos, idade em que seu pai morreu prematuramente. Anthony o mantém em sua memória como sua grande inspiração de vida, um amor próximo à devoção, a ponto de diminuir-se à sua imagem, acreditando severamente que não poderia superá-lo, nem em idade, nem em seu (afortunado) casamento.

Por isso, para tornar a dor da morte iminente na juventude mais suportável, ele define que, entre os requisitos para escolher a mulher que iria desposar, além de qualidades como beleza e inteligência, deveria existir a certeza absoluta que jamais iria se apaixonar por ela.

Quem cai perfeitamente nessas exigências é Edwina Sheffield, a jovem mais admirada entre os salões de baile de Londres. O grande obstáculo, e sem dúvida desafiador, é sua irmã mais velha, Kate, cuja opinião é essencial para que Edwina - e disto dito publicamente num recital - considere qualquer cortejo.

Mesmo sabendo que a fortuna do visconde poderia salvar a família da falência, Kate não acha admissível sequer considerar Anthony Bridgerton, sua inimizade quase instantânea, uma opção. Para ela, Edwina deve se casar por amor e ponto final e está bem claro nos olhos do jovem que isso não está em seus planos. Anthony, no entanto, obstinado a conseguir o que quer, não pensa em desistir, mas também não pode mais negar que, toda a vez que se encontra com Kate, um sentimento desconhecido toma posse dele, algo muito parecido com a tal faísca que tanto tenta evitar e que pode estragar todos os seus planos.


É inegável que a premissa de "O Visconde Que Me Amava" tenha recebido uma boa influência da comédia shakesperiana "Muito Barulho por Nada" e da obra mais conhecida de Jane Austen, "Orgulho & Preconceito". De ambos se herda um casal apaixonada, recusando-se a admitir o sentimento e discutindo a maior parte do tempo juntos. Do primeiro, as cenas que remetem ao ridículo, dando um tom de humor às sequências e traços do desenvolvimento do relacionamento dos dois, insistências que se aproximam mais de birras do que um embate de ideologias, como entre Elizabeth e Mr.Darcy.

Se não há esse aspecto de "Orgulho & Preconceito" entre as fortes influências identificadas no texto, encontra-se outras: Kate, assim como a protagonista de Jane Austen, é uma menina forte que esconde sua fragilidade - como o receio da rejeição - embaixo de uma chuva de respostas prontas e uma postura de confiança. Além disso, assim como Elizabeth, Kate é a primogênita de sua família, mas ainda assim é ofuscada onde quer que vá pela beleza e personalidade doce da irmã mais nova, embora não admita o quanto isso, ainda que ame profundamente a irmã, a incomoda.

As influências são facilmente notadas, contudo não é algo a se destacar além do plot; Quinn imprime seu estilo em toda a narrativa, contando com cenas mais curtas e um grande número de diálogos se sobrepondo às descrições. O foco narrativo é em terceira pessoa, ora pela visão de Anthony, ora pela de Kate. O ritmo da dinâmica entre os dois é o ponto mais que mais me agradou do livro, crescendo gradativamente, conforme os protagonistas vão se tornando cada vez mais conscientes das suas ações e sentimentos.

Uma figura presente, em todo início de capítulo, é a misteriosa Lady Whistledown, uma espécie de Gossip Girl, da sociedade britânica de Julia Quinn, atiçando as intrigas com seus comentários engenhosos e espalhando segredos que - em teoria - ela não deveria conhecer. Esse pequeno mistério sobre sua identidade é, pelo que soube, um dos pontos mais presentes da série de livros, até o livro 4 - e aí já fazemos nossas suposições. Outros coadjuvantes de forte são presença são Edwina, já mencionada; sua mãe, Mary, madrasta de Kate, com quem ao recorrer da obra demonstra um senso maternal (e às vezes antiquado) e protetor em relação à ambas meninas; Colin, um dos irmãos mais novos do visconde que marca todas as cenas em que participa com seu gênio temperamental; e o casal do livro anterior, que não li ainda, mas ganhei simpatia por sua breve aparição, Daphne e o Duque de Hastings.

Como descrito pela própria autora em sua nota no final do livro, a protagonista é  como uma "melhor amiga", alguém com que o leitor/leitora possa se identificar e solidarizar, enquanto o protagonista permeia entre o herói romântico idealizado e um ser humano de carne-e-osso, com todas suas falhas e traumas. Essa temática, se desmembrar os medos de cada um, criando a ideia que o amor pode ser sobrepor ao orgulho, é recorrentemente trazida na história.

Por fim, definitivamente voltarei a ler os livros dessa autora, sobretudo dessa série, para descobrir todos os segredos dos Bridgertons (especialmente do Colin!), mesmo que, ao final, não concorde com o título de Jane Austen contemporânea, por faltar uma das características mais fortes da renomada autora, sua crítica à sociedade e ironias discretas. Outra característica que se difere é o emprego da sexualidade do casal com grande voracidade, mas nisso não se cabe uma crítica, obviamente, já que não se pode se supor ao certo se isso teria sido um elemento abordado ou não por Austen, se a sociedade da época permitisse. Entretanto, não se deixa dúvidas que, entre os nomes do gênero de romances históricos, Julia Quinn se destaca com louvor.

Tenho que admitir que tive uma enorme dificuldade em desassociar (e acredito que até o final do livro não consegui totalmente) a imagem da capa, que não condiz com a descrição da personagem principal, com minha visão sobre ela durante a leitura, mas fora isso, a diagramação do livro é agradável.




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