Na série baseada no livro de relatos da ex-presidiária Piper Kerman, Piper (Chapman na ficção), uma mulher de 30 anos com a vida já estabelecida profissionalmente e prestes a se casar com seu noivo, Larry, é presa por um crime que cometeu há quase 8 anos.  Agora ela tem que ir para penitenciária de Nova York para cumprir sua sentença de 15 meses. Mesmo querendo sair de lá o mais rápido possível, acaba inevitavelmente se envolvendo com a prisão e suas diversas residentes, entre elas, sua ex-namorada e delatora, a traficante Alex Vause.

Foi ano passado, acho que em agosto ou um pouco antes, que eu quis dar uma chance à Orange Is The New Black. A sinopse não é lá de chamar a atenção, nem o título, mas pela repercussão que a série havia tendo, tanto nas redes sociais e prêmios do gênero, pensei "Por que não?". Vi o primeiro episódio, mas não prossegui. Pareceu-me exatamente como a sinopse: monótono. "Onde está a graça nisso, afinal?", me perguntei. E se você se perguntou isso também, prepare-se para descobrir porque quase 7 meses depois descobri que essa primeira impressão estava terrivelmente errada, e talvez, só talvez, a sua também.

Nas séries, atuais e de décadas atrás, sempre foi comum ver um personagem que cometeu algum erro (e foi pego) ou alguém inocente julgado de forma injustiçada, era preso e depois disso pouco se sabia do personagem até o momento que ele saía - isto é, se saía. Ainda que com raras exceções Prison Break, por exemplo, continuávamos na mesma.


” Eu estou aqui porque não sou diferente de ninguém. Eu fiz escolhas erradas. Eu cometi um crime. E estar aqui não é culpa de ninguém a não ser minha.” - Piper



Em Orange is The New Black a perspectiva é totalmente diferente; o foco é na prisão e o mundo exterior é apenas coadjuvante. A introdução de Piper, que se coloca entre as demais como a "típica mulher americana" - ou pelo menos como ela se via antes - nos dá a entrada para conhecer as presidiárias, que como ela, em determinado momento da vida cometeram um erro (em diferentes níveis) e agora precisavam suportar o dia-a-dia confinadas. E é através de flashbacks que entendemos suas personalidades e passados, embora nem sempre descubramos nestes o motivo pelo qual terminaram lá, apesar de recebermos dicas para imaginação. 
São "escapadas ao passado" que podem ser muito esclarecedoras para entender o comportamento atual das personagens, só me incomodou alguns episódios que houveram flashbacks "mistos", ou seja, inserindo num episódio em que uma história é o foco algum trecho de alguma já mostrada sem ligação entre elas. 

Surpreende e impressiona também a grande lista de personagens que se destacam, tanto pela suas histórias quanto a atuação de quem as interpreta. Temos, por exemplo, Sophia, uma transexual que luta pelo seu reconhecimento com seu novo gênero. Lorna, uma mulher que sonha com seu noivado desacreditado por todos. Red, a cozinheira russa que se faz de figura materna para as detentas e anos atrás comandava uma máfia. Claudette, uma rígida idosa com fortes ideais e um passado difícil. Pennsatucky, uma fanática religiosa que quer impor sua ideologia mesmo que chegue até as últimas consequências. Tantas que essa crítica teria que estender demais para cita-las todas dignamente.

E não só elas, mas como também os funcionários da prisão (coordernadores negligentes como Healy ou a diretora) , os guardas, representam papéis essenciais na trama, como o violento e cômico Mendez e  ex-soldado John - este que protagoniza um romance com uma das detentas que dá em um resultado desastroso. Do lado de fora, não perdemos relances de como a vida continuou sem a Piper; para seu noivo, sua melhor amiga, sua família, e a pressão que isso provoca.
O humor da série recai nas falas das personagens e a situações, que para o mundo exterior "comum" soam banais, como ter galinha para o almoço, mas na penitenciária é quase uma lenda urbana. Outro motivo pelo qual a série é tão elogiada (e veemente, na minha opinião) é na forma realística que eles apresentam as mulheres, oposto do glamour hollywoodiano com qual estamos acostumados - não, em OITNB vemos mulheres estressadas, mal-cuidadas e carentes (e a isso acrescenta-se o teor sexual forte tanto hétero  - entre guardas e detentas -, quanto homossexual - entre as detentas - cultivado dentro da prisão). Sobre o perigo e segurança dentro uma prisão, vale-se lembrar que a) é uma penitenciária de delitos não considerados tão graves (não lembro-me do termo exato), portanto não há tanta da tensão violenta do qual normalmente se espera quando se pensa em "prisão" e b) as condições de vida dentro dela, apesar de na série serem consideradas precárias, podem surpreender um pouco - pelo menos a mim surpreendeu, tomando  como a referência as do nosso país, penitenciárias superlotadas e em condições muito piores.

Finalizando, como a própria Piper declara na metade 1º temporada: o pior da prisão não são as pessoas e sim ter de encarar quem você realmente é. Comparando as versões anteriores das detentas nos flashbacks com as atuais, dentro da penitenciária  e ficando ainda mais nítido: dentro dela, não há como fugir de si mesma, elas tem de a aprender a conviver com as versões mais cruas de si mesmas.

Obs: e a música da abertura, da Regina Spektor, "You've Got Time" que não sai da cabeça?
Já assistiram? Gostaram da crítica? Comente aqui sua opinião!


5 Comentários

  1. Oi, amei o post do blog. Já vi muitas pessoas falando sobre mas ainda não tive tempo de assistir, e eu não sabia que era baseado em fatos reais :o.
    Abraços
    http://litaralmentelivros.blogspot.com.br

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  2. Oi, Manu! Tudo bom?

    Já tentei assistir essa série, mas não consigo! E o pior é que eu gostei de alguns episódios que assisti, mas por algum motivo não explicável, eu sempre esqueço de continuar! =x

    Eu adorei seu post. Acho que vou dar mais uma chance e quem sabe colocar algum bilhete no celular para me lembrar, haha.

    Beijos,
    www.falandoemlivros.com

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  3. Oi, Manu!
    Adorei o enredo e o conceitual da série. Sempre ouço comentários dos mais positivos e a gente sabe como a série tem uma repercussão gigante por aqui, mas não acompanho muito séries, então essa passou batida. Eu não tinha ideia de que a série tinha sido baseada em uma história real, da Piper Kerman. Como os livros são mais a minha praia, provavelmente vou acabar lendo o da Kerman <3
    Com carinho,
    Celly.

    Me Livrando ♥

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  4. Eu vi gente que abandonou o livro...
    E acho raro tocarem na série.
    Acho legal essas séries nas quais tratam assuntos do cotiano, que parecem não importar.
    E como tu, no começo achou monótono e depois gostou, é bom dar uma conferida.
    Mas ao todo, não me interessou tanto, ainda mais eu, que ando meio por fora das séries no momento. Algumas até parei :p, vergonha!
    Abraços Manu

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  5. Não tinha ouvido falar da série ainda, mas parece interessante..

    www.saotantas.blogspot.com

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