Um dos desafios que impus a mim mesma esse ano é aumentar cada vez mais minhas leituras nacionais, mas tentar expandir além do meu comum - os clássicos nacionais - para a literatura recente (algo que já me amplamente proporcionado pelos autores parceiros incríveis - veja aqui a lista). E no último Black Friday, ainda em 2014, decidi de última hora escolher "Espadachim de Carvão", do autor e ilustrador Affonso Solano.

No mundo de Kurgala, todas as espécies foram criadas pelos Quatro Deuses, os Dingiri, espalhadas por quatro grandes continente - cada um lar um desses deuses. O que pouquíssimos seres desse vasto mundo sabem é que no continente de Eriduria, na casa sagrada de Enki'Nar, a Voz, vive o filho desse deus, um espadachim inteligente e habilidoso, que responde pelo nome de Adapak.
Ou pelo menos, vivia.
Adapak é obrigado a ir para longe de tudo que conhece quando começa, sem saber o motivo, a ser perseguido e ameaçado de morte. E lutando contra seu incerto futuro, ela precisa desenterrar o seu passado e descobrir coisas sobre si mesmo que mesmo os Deuses desconhecem.
Inicialmente, a essência do livro, vista pelo "lado de fora", ou seja, por alguém que não haviam ainda lido o livro - eu, no caso - dava-se a ideia de uma aventura extremamente excitante e sublime, algo sem igual. E bom, é. Mas simplesmente não conseguiu me alcançar completamente. Ainda assim não deixa de ser uma aventura e tanto.

O autor, que faz uma alçada que em dias de hoje da literatura fantástica, pode se chamar (infelizmente) de "rara", ou seja, apelou para a mais pura imaginação. Desprendeu-se dos seres mais tradicionais - aqueles providos do folclore europeu, exp: fadas, dragões, sereias, etc - e criou sua própria mitologia, a quem ele diz atribuir muito de criaturas que imaginava desde a infância. E dessa característica, acredito, que o leitor pode absorver a melhor parte da obra, deixando se levar pelo mundo criado pelo Affonso Solano.
Quanto ao enredo, a premissa me parecia espetacular. Um filho de um deus poderoso - remetendo-nos a ideia do mito grego -, num mundo alternativo, com outras espécies, regras e geografia, correndo contra a própria vida. A primeira pergunta que se vem na cabeça é o "Por que o filho de um deus precisaria fugir?", e nós dá o impulso para ansiar a leitura desde os primeiros capítulos.

- Uma decisão sensata. A sabedoria não está em domar o poder, Adapak, mas na forma de se utilizá-lo.
- Enki'Nar, pág 163

É fácil se identificar com o primeiro, e temer por ele: além dos músculos e habilidades de luta - de um estilo único chamado de Círculos, com uma das histórias de fundo que julguei como mais interessante da obra - ele não passa, no fundo, de uma criança inocente, que via o mundo por uma janela de vidro protegida (metaforicamente), mas não chegava a toca-lo, até que as circunstâncias o obrigaram-o a fazê-lo. 
Apesar disso, de toda essa mitologia incrível criada pelo autor Solano, alguns detalhes aqui e ali me impediram de aproveita-la por completo. Um dos recursos necessários quando se cria uma mitologia essencialmente nova é ter de repetir mais uma vez descrições de elementos e criaturas que nesse mundo são absolutamente comuns - mas no nosso não. Por exemplo, quando o autor cita um verme do mar. É certo que neste livro ele tem suas características próprias, mas por ser um animal presente em nosso mundo, temos uma imagem para relaciona-lo. O mesmo não acontece com um ser totalmente exclusivo de Kurgala, citando como outro exemplo, um nekelmuliano. Cada vez que um deles era citado, juro que imaginei-o de formas diferentes todas as vezes, porque não houve nas primeiras aparições da espécie, acredito, uma descrição mais aprofundada sobre sua aparência, para que se pudesse ser firmado completamente durante a leitura.

Antes de comprar o livro, imaginei que, por não ver nenhuma notícia por aí sobre continuações, ele seria um stand-alone (livro único; sem sequências), o que para mim conferia um ponto extra para o autor antes mesmo da leitura, ao ponto que livros de fantasia que não se tornam séries são outra raridade. Porém, vendo o desenvolvimento da obra e as pontas soltas sendo deixadas no caminho, sem fechamento destas na conclusão final, não pôde se ficar mais óbvio que haveria uma continuação. E vendo do tanto que o autor é capaz, com seu livro de estreia, mesmo que este não tenha me conquistado por completo, quero dar a Kurgala mais uma chance.


Informações| ISBN: 9788577343348 Páginas: 256Editora: Fantasy - Casa da Palavra

(Fotos da colagem: fanarts do site oficial do Espadachim de Carvão, autorias por ordem - esquerda para direita: Yugo Ohnishi, Ronnie Solano, Joviana Marques, Zé Carlos e LGQuelhas, Pedro Rocha e Renan Soares Querino).

Então, já leram esse livro? Se interessaram pela sinopse? Comente e digam suas opiniões!


8 Comentários

  1. Oi Manu!
    Quem leu esse livro (e resenhou lá no blog) foi o meu noivo e ele gostou bastante da leitura. Não é o tipo de leitura que me atrai, confesso, mas acho a história bem interessante. Um dia, quem sabe, eu vença essa resistência e dê uma chance a ele. Por enquanto, não. rs
    Beijos
    Coisas de Meninas

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  2. É um dos livros nacionais que eu sou LOUCO pra ler. Sou curioso pra conhecer as obras dele (e de Draccon), principalmente pelos generos que ele(s) escreve(m). Gostei de sua resenha, bem explicativa! Voltarei mais vezes ao seu blog ;)

    http://cantinadolivro.blogspot.com.br/

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  3. Oi querida! Amei o seu cantinho! Assim como você, também pretendo ler mais autores nacionais neste ano. Estou com 2 desafios literários e um deles é esse, que pretende ler livros com temática LGBT e nacionais. Já ouvi muito falar de O Espadachim de Carvão, a história me parece bem interessante. Um beijo!

    Ilmara

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    1. Olá,
      Obrigada <3
      Também estou seguindo um book challenge esse ano, mas não sei se vou conseguir ser totalmente fiel à ele (são tantoooos livros!).

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  4. Oi Manu, tudo joia?
    Acredito que seja a primeira vez que passo por aqui, achei seu blog bem legal.
    Quanto ao post, eu estou com expectativas em relação ao livro. Eu conheci ele pelo meu professor, que gostou muito da história, e aí outros colegas leram e gostaram... E um certo site chamado Submarino, um dia resolve colocá-lo por R$9,90. A fanática por fantasia aqui, é claro, compra.
    Estou com ele aqui, mas preciso - urgentemente - atualizar as minhas leituras, Gostei da sua resenha, e apesar de citar os pontos negativos - e de alguns dos citados me incomodarem bastante - eu pretendo dar uma chance ao universo de Kurgala, e espero que Solano me surpreenda; Como a literatura nacional vem fazendo a muito tempo.
    Até breve,
    Natálie
    www.nossosmundos.com

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    1. Olá Natálie,
      Muito obrigada, fico feliz que tenha gostado!
      Dê uma chance mesmo - apesar das minhas críticas, mas afinal né, devemos abranger nas resenhas todos os aspectos do livro -, vai valer a pena!

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  5. oi, essa tambem foi minha resolucao de ano novo, ler mais nacionais, em janeiro eu li 3 nacionais dos 6 totais que li no mes
    bjs

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  6. Oi Manu, esse livro tem algo com que me identifico muito. Gostei da abordagem sobre o poder e de como ele se forma junto com a ideia dos Deuses. Quero ler, vou adicioná-lo a minha lista. Até mais!

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