Pobre Pandora...
Comprei o livro "O Segredo do Meu Marido" num bazar escolar, me interessei pela capa e pelo título e o escolhi como uma futura leitura sem muita expectativa, nem pretensão. Por mais que tentemos, não há como evitar: sempre temos uma imagem formada, sobre determinada coisa ou assunto, antes mesmo de começar, mesmo que seja bem lá no fundo. Pensava que seria uma leitura extremamente leve; um romance chick-lit, para descontrair. E acabou sendo um dos mais surpreendentes e agradáveis enganados. 

Na cidade de Sidney, Austrália, reside a mais que "esposa perfeita", Cecilia Fizpatrick: simpática e sociável, uma dona-de-casa organizada, mãe de 3 filhas, frequentadora fiel da Igreja, empreendedora de destaque da empresa Tupperware e casada há 15 anos com o cidadão-modelo, John-Paul. Perfeccionista ao ponto de até sua sogra não conseguir achar do que reclamar. Apenas uma única coisa impede a organização completa do mundo de Cecilia: a velha caixa de sapatos do marido que ele guarda no sótão. Então um dia, por acidente, enquanto procurava material de pesquisa para a filha do meio, ela esbarra nessa caixa, derrubando seu bagunçado conteúdo, e entre ele, uma curiosa carta lacrada, com os dizeres "Para minha esposa, Cecilia Fitzpratick, para ser aberta apenas na ocasião na minha morte". Não sabe, naquele momento,  que ao lê-la, sua realidade sólida e perfeita, um castelo de vidro protegido do mundo verdadeiro e cruel, pode  se estilhaçar por completo.

Informações: Editora: Intrínseca | ISBN: 9788580574791| 368 páginas.


“Pobre, pobre Pandora. Zeus a envia para se casar com Epitemeu, um homem não muito inteligente que ela nunca viu, e que tem um misterioso jarro tampado. Ninguém diz a Pandora uma palavra sobre o jarro. Ninguém diz a ela para não abri-lo. Naturalmente, ela o abre. O que mais poderia fazer? Como ela deveria saber que todos aqueles males terríveis se derramariam para atormentar a humanidade até o fim dos tempos, e a única coisa que restaria no jarro seria a esperança? Por que não havia um selo de advertência?Então todo mundo fica dizendo: Ah, Pandora, onde está sua força de vontade? Disseram-lhe para não abrir a caixa, sua bisbilhoteira, sua mulher típica, com uma curiosidade insaciável; agora veja só o que você fez. Quando, para começar, era um jarro, não uma caixa e, elem disso – quantas vezes ela teria que repetir? –, ninguém disse uma palavra sobre não abri-lo!”, Prólogo.
Diferente do que se sugere na sinopse do livro, o foco da narrativa não se centra apenas em Cecilia, mas na verdade também em mais duas mulheres: Tess e Rachel. Diferente de Cecilia, com sua vida estável e estruturada,Tess e Rachel vivenciam desde o início do livro um grande desalinhamento em suas rotinas. Rachel, uma mulher idosa que mora poucas quadras da sra.Fitzpatrick, se desespera quando sua nora e seu filho anunciam que em breve se mudariam para Nova York, levando seu querido neto e única alegria da viúva. E em Melbourne  Tess, uma publicitária extremamente tímida se muda para Sidney com seu filho pequeno quando, de uma hora para outra, as duas pessoas que mais ama e confia na vida, seu marido e sua prima (e melhor amiga), assumem um caso que juram ser fruto de "amor verdadeiro". Sobre elas recaem dos  mais comuns e difíceis impasses da natureza humana: o limite da capacidade de se perdoar, o peso da culpa, as consequências de uma mentira.

Em sua narração alternada em terceira pessoa, Liane Moriarty apresenta as vidas cotidianas de suas protagonistas cheias de medos, desejos e manias do dia-a-dia, três mulheres com quais se pode facilmente se identificar. Mas o que ligaria então essas três vidas dispersas e alheias umas às outras? O então segredo do marido de Cecilia, há muitos anos enterrado.

Com uma linguagem sutil, a autora implanta ligações singelas entre as três de forma discreta, e em poucos capítulos o leitor pode distingui-los. Elementos que parecem tão banais - uma pesquisa sobre o Muro de Berlim, o reality show The Biggest Loser, pão de passas, etc - são colocados como pontos de associação e muitas vezes como grandes metáforas para o desespero de cada personagem.  Interessante também é como a autora trabalhou com os "e ses?...", analisando as possibilidades dentro das situações que levam até o espaço de tempo atual do livro, do que teria acontecido se tal decisão fosse diferente.

Muito mais que o esperado, "O Segredo do Meu Marido" surpreende pessoas que se equivocam sobre o seu verdadeiro conteúdo baseado no (péssimo) título e, fechando primorosamente com seu epílogo elaborado, nos faz refletir sobre a força de pequenas ações impensadas em nossos futuros.




5 Comentários

  1. Começando 2015 arrasando! Amei a review, sincera e direta! Vou ler! Muito sucesso pro Miss Sorrisos nesse novo ano minha parceira! Bjuuuuuuuuus meus e do AlgorithMyth! <3

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  2. Oii Manu, tudo bom?
    Não costumo ler este gênero de livro, mas eu sou louco pra ler este desde que o descobri, dizem que o final é muito muito bom. Sua resenha me deixou com mais vontade ainda kkkkk
    Um abraço
    Oficina do Leitor / Facebook

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  3. Oi, Tudo bem?
    Então, ja tinha lido sobre esse livro, mas não me interesso muito na leitura. Até pq né, parece muito feminino !

    mundoemcartas.blogspot.com.br

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  4. Eu sempre fui daqueles que julga o livro pela capa. Bem. Não é desculpa eu ainda não ter lido já que a capa é bonita, mas não me atraía. Já disse que eu não leio sinopses? Haha. Vi o título e imaginei que fosse mais um daqueles romances turbulentos com direito a par de chifres de natal, mas bem. Já não vejo a hora de descobrir o segredo do maridão que não pulou a cerca (ou então você caiu na lábia dele e também acha que não, ha).

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  5. Oi, Manu *-*
    Eu vi uma resenha desse livro já e fiquei interessada na historia, pois a mesma parecia bem interessante, mas acabou que eu nem li. Agora lendo a sua resenha, eu voltei a ter curiosidade na história, mas não é um livro que lerei no momento :c Enfim, adorei sua resenha e fico feliz ao ver que a leitura foi boa para você o/

    Beijos :*
    Larissa - http://srtabookaholic.blogspot.com.br

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