Olá,
Muitas pessoas ainda não devem saber, mas passei recentemente pelo processo de transição capilar! Nota-se também, pelo termo ainda ser um pouco desconhecido, nem todo mundo reconhece-o-o, então vou explicar o que é: transição capilar é quando alguém, homem ou mulher (geralmente mulher) opta por voltar para o cabelo natural, assim chamando de transição o momento em que parte do cabelo (a raiz) está natural e o resto com algum tipo de química que o agrediu (nas maiorias dos casos, a progressiva ou relaxamento).


Citando, como exemplo, as atrizes Taís Araújo ou Sheron Menezes, que hoje são vistas com suas madeixas cacheadas naturais.

Falei sobre minha decisão de entrar em transição na resenha do documentário Good Hair (bem explicativo sobre as consequências das químicas no cabelo): Veja aqui.

Decidi, para tornar o post mais completo, falar um pouco de toda a "jornada" por qual pelo cabelo passou nos últimos anos.

Mesmo quando eu era bem pequena, "cabelo" foi algo que sempre incomodou. Seja pelos comentários maldosos na escola ou pela falta de representatividade dele nas mídias, sentia-me extremamente triste nesse aspecto. Quem tem ou conhece alguém que tenha cabelo crespo/cacheado sabe: muitas vezes é difícil. Não pelo cabelo em si (dizer que cacheado é "trabalhoso" é uma grande desculpa!), mas pela falta de aceitação. E para crianças pior ainda; crescer com sua autoconfiança senso constantemente questionada. Então, para tentar acalmar meus ânimos, meus pais me levaram (aos 4 anos apenas) para fazer relaxamento, de forma que deixasse os cachos menos volumosos.











Agora falando de uma decisão minha, na faixa dos 10 anos de idade que não tem nada a ver com textura do cabelo: pintei-o de vermelho. Era tinta temporária (e você pergunta-se: "como os pais dessa menina deixaram isso?". Bom, eles me avisaram sobre o estrago e me deixaram arcar com as consequências). E não foi tão ruim assim - menos pela parte do cabelo ficar totalmente estragado depois. Com isso perdi metade do comprimento e o cabelo ficou bem volumoso - já imagina-se os comentários dos "coleguinhas".
Então aos 11 anos, não suportando mais a pressão social e louca para ter "praticidade" (só entre aspas mesmo), alisei meu cabelo com aminoácidos no salão da minha mãe. O resultado foi um estrago ainda maior.

















Anos depois, comigo mais habituado ao "estica-e-puxa" do alisamento, fui hidratando e cortando regularmente as pontas, e, com o tempo, o estrago não ficou tão aparente e o visual alisado começou a se estabilizar. Mesmo assim, conforme os anos se passavam, fui me dando conta da grande ilusão que era a aparente "praticidade" do alisamento; apenas propaganda mesmo. Exigia MUITO dinheiro (para fazer uma progressiva com um profissional bom+hidratações e outros cuidados), SACRIFÍCIOS da diversão pessoal (o cloro da piscina e o sal da praia detonavam ainda mais o cabelo cheio de químicas, o resultado não era nada bom), uma tonelada de ILUSÃO, porque, convenhamos, o liso pode ficar ótimo, mas em poucos meses a raiz voltava a crescer e não tinha como esconder, né? A não ser que você passasse chapinha ou escovasse, destruindo ainda mais o cabelo. E por último e não menos importante (aliás, o mais importante), A SAÚDE. Quantas histórias não se vê surgindo cada vez mais e mais sobre pessoas que, ou estragaram o cabelo por completo, ou pior ainda: perderam ele para sempre - a ponto de não crescer novamente. Sem falar nas doenças que produtos como o formol podem induzir (câncer, por exemplo). Este já uma das substâncias proibidas no mercado, mas lembrando: não se pode se brincar com química. Qualquer substância - como acontece sobre muitas drogas - usada por um período muito longo e repetido, pode causar perda de efeito, ou seja, cada vez que se alisa, mais forte é a química necessária para alisa-lo novamente da próxima vez. Se não acredita, pesquise mais sobre o assunto. E esse foi meu principal incentivo para largar a progressiva: sentir-me segura com minha saúde.

Finalmente, depois de 5 meses de transição (ou seja, deixando a raiz crescer naturalmente, sem químicas), com chapinha no começo - para disfarçar, muito cabelo preso e também muita hidratação (para manter os fios saudáveis no processo), perdi finalmente minha paciência e fiz o corte, o então comentado BC - o Big Chop -,termo em inglês inventado nos EUA para esse corte específico de volta ao natural. Queria esperar que crescesse mais? Sim. Mas comecei a perceber que o estresse de duas texturas não valia a pena. O cabelo, de qualquer forma, só cresce mais rápido depois do BC.


Ficou bem curto, mas de verdade, apesar de verter algumas lágrimas durante o corte  - AFINAL É SEU CABELO TODO SENDO CORTADO! - , o resultado é libertador.

Lamento um pouco por ter sido essa (acima, da direita) a única foto que tirei no dia (uma selfie um pouco estranha, admito), quis posta-la mesmo assim para mostrar o crescimento de um mês para outro. Como dizem, ame o processo.

E este é o como ele está atualmente (foto tirada no meio de Janeiro/2015):




 Estou atualizando aos poucos minhas redes sociais com o novo visual (inclusive em breve esse banner também) e também, no dia-a-dia, me acostumando ao novo corte e devo dizer que estou amando! É bem fresco e confortável, e os cachos estão com uma aparência muito melhor, agora que livres da parte alisada. E não se engane: cabelo crespo/cacheado NÃO É DIFÍCIL de cuidar, o problema está na mentalidade de quem os repudia. É melhor ser livre que agradar.
Em breve, também, farei um post explicando um pouco mais sobre a transição capilar, então se estiver interessado(a) no assunto, fique de olho no blog, darei muitas dicas!

E para fechar a postagem, eis uma frase que foi minha "inspiração" durante toda a transição:
"Nunca é alto o preço a pagar pelo privilégio de pertencer a si mesmo", de Friedrich Nietzsche.

Então, o que achou? Passou pela transição/está pensando em entrar em transição? Deixe aqui seus depoimentos para serem compartilhados, suas dúvidas, e diga sua opinião!


7 Comentários

  1. Essa é a primeira vez que escutei falar sobre "transição capilar" e achei interessante esse processo. Você fica linda das duas formas, mas o importante é sentir bem consigo mesma e pelo o que eu estou vendo você está feliz com esse novo visual!
    Bjs e sucesso com o blog!
    http://escritorawhovian.blogspot.com.br/

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    1. Obrigada Bruna <3 Com certeza, o importante é estar feliz, mas acho que mais importante ainda é a saúde (por isso acho que deveria ser proibido usar químicas para cabelo pelo menos em crianças).

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  2. Você disse algo que venho há muito tempo tentando aceitar " É melhor ser livre que agradar."
    E isso é um fato, só que isso é tão difícil. =(
    Você ficou linda com o novo visual, deu uma rejuvenescida, uma levantada no visual. Eu também cortei curto o meu, mas não curti, é mais fácil de cuidar, mais fresco, mas não achei que ficou bom em mim. O seu ficou lindo por sinal e se você curtiu melhor ainda.

    Te convido a dar uma passada no meu blog:

    http://meninadeparis.com

    Beijos, Fique com Deus

    Dayana

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    1. Também estou a muito tempo tentando aceitar que é melhor ser livre do que agradar... mas é dificillll....
      passe no meu blog! adornosfemininos.com
      beijocas!

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  3. Eu adorei a sua iniciativa confesso nunca cortaria de uma vez, você é muito decidida manu parabéns.
    Ficou linda com ele natural, além de não prejudicar mais os fios pq convenhamos a chapinha é uma destruidora!
    http://garotaliterary.com

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  4. Nunca havia ouvido falar nesse tipo de coisa, até porque não sou muito ligado nessas coisas femininas e as minhas amigas não mudam o cabelo desde que nasceram, então... Achei muito legal e muito proveitosa sua iniciativa de cortar o cabelo quase todo de uma vez, Deus sabe o problema que a química e os processos alisantes envolvidos poderiam gerar à sua saúde, e além da coragem, merece parabéns pelo corte, ficou realmente muito bonito.
    Ah e, nunca havia reparado, mas você tem alguns traços faciais da Sheron Menezes.

    Beijoooos :3

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  5. Adorei ler sobre esse processo pelo qual você passou. Parabéns pela conquista e pela publicação do relato! Este pode ajudar outras garotas que têm o mesmo desejo de sentir a liberdade da qual você fala, mas ainda não tiveram a coragem de partir para a ação.
    Muito bem usada a citação de Nietzsche!

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