Mais uma resenha aqui para o blog! :)
Trago hoje para vocês, o maravilhoso romance de John Connolly, O Livro das Coisas Perdidas!

Para David, apenas os livros podiam fazê-lo esquecer-se do mundo á sua volta.Inglaterra, Segunda Guerra Mundial, David é um menino inteligente e curioso, que ao perder sua mãe, a pessoa que lhe ensinara a arte da leitura, se torna solitário e incompreensível. Sua introversão só piora quando, algum tempo depois da morte da mãe, o pai casa-se novamente e ele é obrigado a ir morar na casa da nova esposa do pai para evitar a guerra. E quando ele acha que não há como tornar sua vida mais insuportável, é lhe dado a noticia; Rose estava grávida.

No seu novo quarto naquela casa misteriosa e isolada no interior do país, ele encontra uma estante de livros antigos.Contos, assim como os que a sua mãe lia para ele antes de morrer.Para afastar-se da lembrança do seu novo irmão e Rose (que agora pareciam ser o foco da atenção do pai do menino), mais uma vez enterra-se nos livros; sua única companhia.Porém seu mundo particular torna-se estranho, quando, de repente, passa a ouvir o chamado das histórias e um pedido de socorro, vindo da voz da sua mãe.Depois de muito hesitar, cede a curiosidade e penetra, através de um portal no seu jardim, nesse reino mágico e sombrio, onde um rei fracassado e um Homem Torto estão á sua espera.
                                             

O que me impressionou primeiramente na obra de John Connolly é como o modo dele contar uma história é ao mesmo tempo tão encantadora e sombria.Ele introduz o leitor a dor de David, causada pela doença incurável da mãe. 

Nele se vê um personagem principal corajoso, mas também inseguro. Desenvolve TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo) em decorrência a essa situação, acreditando que repetir pequenos rituais todos os dias, ajudaria a salvar sua mãe ou pelo menos evitar que o pior acontecesse. E quando a morte finalmente leva sua mãe, David, como qualquer pessoa que sofre uma grande perda, ainda mais uma criança, se questiona sobre a vida após-a-morte e sobre como ele mesmo viveria, dá-lo em diante. Enfrenta o ciúmes provocado pelas novas figuras em sua vida e na do pai, sua madrasta e seu meio-irmão, também induzindo-o a vivenciar sentimentos egoístas e solitários.Dessa forma o autor transforma David em mais que um garoto qualquer que sem querer entra num mundo mágico, mas em alguém que tem realmente problemas sérios, com quais possamos facilmente nos identificar.
Dentro desse mundo mágico encontram-se personagens típicos das histórias de conto de fadas, mas não como estamos costumados a vê-los nos livros; nessa versão, desda história da Chapeuzinho Vermelho até Branca de Neve e os Sete Anões, todos adquirem uma característica sombria e assustadora, misturando também o real com o psicológico.
– Vocês estão dizendo que...os ursos mataram a pobrezinha?—perguntou David.
– Comeram – corrigiu o Irmão Número Um. – Com mingau de aveia. Isso é o que significa, nestas bandas, a expressão "fugiu e nunca mais foi vista". Quer dizer, virou mingau!
– Hum, e o que quer dizer "felizes para sempre"?— perguntou David, meio inseguro.– Hein?
– Digerido rapidamente — revelou o Irmão Número Um.
E assim chegaram à casa dos anões.
- pág 146, capítulo XIII
E o Homem-Torto - que muitos poderão reconhece-lo de uma história muito conhecida se prestarem atenção - apresenta a David seu maior dilema; ter sua vida de volta em troca, apenas, do nome do seu novo meio-irmão. 

A finalização deste livro se dá de forma emocionante e sublime. David, de um menino egoísta e solitário, amadurece ao longo do livro e torna-se um homem.O fechamento é tão mágico quanto o inicio, deixando saudade e um bom sentimento.

Recomendo a todos.



2 Comentários

  1. Me estimulou a vontade de ler Manu, amei beijinhos de luz.
    http://victor-reads.blogspot.com.br/

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  2. Ei, Manu, tudo bem?
    Adorei a resenha de hoje.. Já ouvi muitas coisas positivas sobre o livro, e a sua resenha só confirmou tudo isso. Ele está na minha wishlist há algum tempo, espero em breve poder comprá-lo *-*
    Beijo grande.

    Thati;
    http://nemteconto.org

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