Quando fui ao cinema hoje, estava com duas opções fixadas em minha mente: ou finalmente veria a adaptação do livro que li ano passado, Divergente ou veria a sequência de Capitão América: O Soldado Invernal. Acabou que pelo horário, os dois estavam muito tarde para mim, então tive que optar por uma 3° opção.

Logo lembrei que além desses filmes pop, também havia outro ainda em cartaz, "O Espetacular Homem-Aranha 2". Me pareceu uma opção garantida de diversão fácil - me remeteu á imagens nostálgicas de quando eu era mais nova, admito, assitia de vez em quando a série do Homem-Aranha.Mesmo para uma menininha de 9 anos, "Club da Winx" e "Barbie" conseguia ficar EXTREMAMENTE chato ás vezes.E graças á isso, quando vi o segundo filme, mesmo não tendo visto o primeiro, não me confundi com o enredo, estava em terreno conhecido pelo menos.

No começo desta nova aventura do super-herói aracnídeo, Peter Parker, o Homem-Aranha, está num ótimo momento: sua dupla identidade não foi descoberta, continua prendendo villões sem problemas (além da critica da imprensa), acaba se de formar e têm um ótimo relacionamento com a namorada, Gwen Stacy.

Mas nem tudo está perfeito e algumas coisas incomodam sua mente: a pasta com arquivos dos pais, deixados um pouco antes dos dois desaparecem, ainda é um mistério.E não é só isso, sua consciência pesa; passa a ter visões constantes do pai de Gwen, do qual se culpa pela morte dada em causa dos incidentes do filme anterior e porque seu último pedido antes da morte, ao saber que Peter e o Homem-Aranha eram a mesma pessoa, era que se afastasse da filha para evitar que ela se machucasse.

Enquanto isso, nos laboratórios Oscorp, um funcionário, fã obsessivo do Homem-Aranha, sofre um acidente com enguias mudadas geneticamente.Como no caso do Homem-Lagarto e do Homem-Aranha, encobrem o caso, principalmente nesse momento em que o dono da empresa, Norman Osborn, está á beira da morte e fazendo com que seu herdeiro, Harry Osborn, antigo amigo de infância de Peter volte á Nova York e descubra um terrível e trágico segredo de família. Mas logo estes dois personagens descobrem ter algo em comum; o desejo de destruir o Homem-Aranha.

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Não sou nenhuma leitora de quadrinhos (minha praia é mais livros e mangá), mas sei o minímozinho sobre Homem-Aranha para notar as claras diferenças entre este filme, e o estrelado por Tobey Maguire em 2002.
A ideia de fazer um reboot contando outra versão da mesma história é de fato, interessante, mas o decepcionante é saber que isso não foi proposicional.A ideia inicial dos estúdios era continuar a saga fílmica (Homem-Aranha 4, então), mas como tanto diretor anterior e ator principal recusaram, foi decidido que seria feito outra versão.E o que não falta é versão (as histórias em quadrinhos sempre são "refeitas", sem com algumas mudanças e alterações no enredo), então adotaram essa que se atribui ao Homem-Aranha mais original (do começo dos quadrinhos).

A primeira impressão que tive do filme foi a ação; tudo muito bem feito e montado, nesta versão temos um Homem-Aranha mais versátil.Cheias de rapidez e ocasionais slow-motions bem colocados o aspecto "ação" do filme merece um parabéns.Os slow-motions em particular (slow MESMO) serviram para capturar os momentos com mais intensidade, muito bem aproveitada para mostrar a perspicácia do herói diante ao perigo.
Sobre os personagens: apesar que em ambos filmes (comparando a versão anterior do diretor Riami com o atual, Webb) conservem o senso de humor irônico do herói, neste suas piadas são realmente na minha opinião mais engraçadas e seu jeito mais divertido, solto.
Parte disso deve-se ao ator que dá vida ao protagonista, Andrew Garfield, mostrando todo seu talento ao lado da co-protagonista (e namorada), Emma Stone, atriz que interpreta a namorada original de Peter nos quadrinhos, Gwen Stacy, antes de Mary Jane.A performance dos dois no filme sai de forma maravilhosa e em uma bela sintonia, um dos pontos altos do filme. 

Pena que o mesmo não possa se dizer para o roteiro em geral.Além de todo drama invocado pelo casal e pelos mistérios deixados pelos pais de Peter, é introduzido á saga mais dois vilões: Harry Osborn e Max Dillon. Dillon é um homem tímido e solitário, que encontra uma escapativa dessa solidão ao se tornar um fã obssesivo do Homem-Aranha, mas acaba sofrendo um acidente no laboratório e se tornando Electro, o vilão do titulo. Harry por outro lado é um menino rico rejeitado pelo pai, Norman Osborn (que na outra versão fílmica, era o primeiro Duende-Verde) que tem que lidar com uma doença hereditária no qual a única saída parece ser usar o sangue do Homem-Aranha.
Ta aí, duas possibilidades incríveis de se criar um enredo mais complexo, mas desperdiçadas exatamente em favor da rapidez que o filme se passa.Ainda mais com dois atores tão bons, Jamie Foxx (como Electro) e Dane DeHaan (como Duende-Verde), mas desenvolvidos superficialmente para dar lugar á mais e mais cenas de ação e romance.Pior aspecto do filme para mim, logo eu que dou valor á grandes vilões, bem desenvolvidos e com motivações elaboradas.Nesse sentido os filmes dirigidos por Riami ganham de longe; lembro até de me emocionar ao final do segundo filme por conta exatamente do vilão, Dr.Octopus ou mesmo o Duende Verde interpretado por James Franco.

Outra coisa que realmente não gostei foi a trilha sonora ao longo do filme.Exagerada demais, aumentando o volume em cenas de ação, diminuindo nas de romance, e alternando sem parar.As vezes era adequada até, para determinada cena, uma ou outra, mas minha impressão ao final é que foi uma algazarra de sons sem limites.

Os efeitos por outro lado, foram incríveis, principalmente nas cenas de ação (como comentando mais acima), sobre isso não tenho nada á reclamar, assim como o figurino.

Mas admito, não esperava esse final.Do meio do filme para o final ele melhora bastante e não quero dar spoiler, mas para quem não leu os quadrinhos originais como eu e não tinha como prever isso, ganhou uma surpresa e tanto.O último ato heroico, o que sempre salva, o que sempre dá certo - tabu dos super-heróis - não tem o efeito esperado e a esperança é o que sustenta o protagonista, dali á frente.Fora o descaso com os vilões, foi realmente um final ótimo.Mas acho que disso o crédito deve ir para aqueles que fizeram os quadrinhos, não os que idealizaram o filme.

Então, já viram o filme? Pretendem ver? O que acharam ou quais são suas expectativas?
Comente e diga sua opinião!





2 Comentários

  1. Concordo com algumas coisas mas não penso que houve um descaso com a história dos vilões visto que parte do foco desse filme era agradar os leitores das hq's que já possuem conhecimento prévio sobre vilões como Harry Osborn. E a forma como ele e Max se sentem ignorados pela sociedade e estão em situações desesperadoras explica as ações deles. Além do mais o vilão Max aparentou possuir problemas mentais, o que explicaria ele pensar tão rapidamente que o Homem Aranha o traiu.

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  2. Oi, Manu! Vou assistir o filme na segunda feira e achei a ideia de colocar dois vilões num mesmo filme um super desperdício. Desde quando soube fiquei me perguntando em quantas horas o filme teria, porque não teria como os vilões terem um desenvolvimento legal num filme de duas horas, mas percebi que isso aconteceu também com Capitão América 2 : O Soldado Invernal (que mais deveria chamar Capitão América e Viúva Negra vs HIDRA), porque o Soldado Invernal mesmo não é desenvolvido, apenas usado para as cenas de ação.
    O ruim é adorar o Duende Verde, acho que é um dos meus vilões favoritos da Marvel, e saber que ele não terá a atenção que eu acho que merecia, mas veremos.
    Agora sobre essa nova franquia, achei bem legal a ideia de fazerem algo mais parecido com as HQs, porque tinham algumas coisas na antiga que realmente eram muito diferentes! Sem falar que Andrew Garfield está fazendo um ótimo trabalho, tipo, ainda não como Tobey, mas está no caminho certo!
    Assim que eu assistir eu volto aqui pra falar o achei, ok?

    Abraços,
    Lucas Fagundes
    http://claqueteliteraria.blogspot.com.br/

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