Mais uma série para a coleção de favoritos: Mad Men, série premiada da emissora AMC (no brasil passa na HBO e na TV Cultura, mas também tem no Netflix) me conquistou.

"Mad Men" era o termo que surgiu nos anos 50 para designar os grandes homens de negócios da Madison Avenue, em Nova York (aí vem o trocadilho MADison+ADvertising(propaganda)= MAD (louco).

A série se ambienta nos anos 60, período de abuso das bebidas alcoólicas, tabagismo, sexo casual e muitas mudanças no mundo como ele era e uma perspectiva de vida muito diferente que a atual.

Um momento em que o consumo aumentava cada vez mais e mais, grande parte disso por causa das propagandas das agências de publicidade, sinônimo de poder e glamour da época.Neste cenário, há a empresa fictícia Sterling Cooper, uma das empresas mais poderosas da área.

Dentro desta empresa há o protagonista, Don Draper, o diretor de criação e um dos funcionários mais importantes da empresa e sua equipe focados em seu objetivo principal: convencer o consumidor que ele deseja o produto, nem que isso custe mexer com suas próprias conturbadas vidas pessoais.
                                           

A série me chamou atenção em primeiro lugar pela época em que é ambientado: os "glamourosos" anos 60. São muitas mudanças neste mesmo período:  Muro de Berlim, o homem chega á Lua, primeiras TV em cores.Na mesma época acontecia; morte de Marilyn Monroe,as bandas Beatles e Rolling Stones ficando conhecidas por sua música, Martin Luther King Jr. se manifestando pelo direito do povo negro, no Brasil, a criação de Brasilia e o golpe militar.E tantas outras mudanças que não podem ser citadas em uma só postagem.
Mas voltando ao assunto: me veio a dúvida, será que a série conseguiria criar um bom roteiro sem perder os "ares" dessa época? Conseguir cenário e vestuário que não fugisse para o século XXI? Encenar os modos e a mentalidade da época, sem cair em moralismo exagerado?
E a resposta é sim, conseguiram.

13 episódios com um bom desenvolvimento, personagens intrigantes e um anos 60 recriado nos mínimos detalhes.

Don Draper já  é por si só um personagem envolvente; segredos enterrados, problemas conjugais, amantes, conflitos, ameaças, traumas e um talento nato para a manipulação de clientes, ao mesmo tempo de uma verdadeira paixão pela profissão que exerce.Isso só em um personagem.

E claro, apesar de ser o personagem principal, a série não se concentra apenas em um núcleo: acompanhamos as outras histórias dos personagens que completam a fictícia Sterling Cooper.

Uma coisa que me preocupava muito antes de ver a série é o medo que se tornasse ao muito superficial sobre a época abordada, como acontece muito nas formas de comunicação, principalmente novelas: a dissimulação dos preconceitos, dos vícios e sexismo. Encenar outra época e tentar fingir que tais aspectos não existiram ou não existem é terrível - acaba com a credibilidade de qualquer obra. Mas felizmente esse não foi o caso; é abordado sim e de forma sincera: se mostra ao telespectador mais próximo possível da realidade do passado sem eufemismos. Se vê negros e brancos separados num EUA em pleno apartheid, mulheres sendo gravemente oprimidas - em casa e no trabalho, uma ilusão que fumar seria bom para a saúde.Em Mad Men esses aspectos são se fingem, não se escondem, fazem parte da época; apenas.
Mas isso não significa personagens por exemplo que as atrizes femininas da série sejam colocadas de lado; não mesmo. Tão complexos como os personagens masculinos (e muitas vezes mais) e a maioria com muito mais destaque - Peggy e Joan por exemplo - são parte efetiva e necessária da empresa, apesar de ainda tentarem firmemente encontrarem seu espaço e adquirirem respeito.E não só essas mulheres no mercado de trabalho, mas aquelas que em casa, se ressentem e guardam o "ninho" ansiosamente pela chegada do marido, cheias de incertezas e desconfianças.

E com nada mais que pureza no coração e honestidade, Don chega em casa todos os dias, abraça os dois lindos filhos e cumprimenta com um beijo a adorável esposa.Muito clichê? É porque não é a verdade. É exatamente o que a série nos mostra; a vida das famílias perfeitas das propagandas charmosas dos anos 60 por trás do pano. Um tempo que era mais fácil esconder sua vida pessoal. A vida de "verdade" daqueles que "criam" a mentira.
Ótimos atores, dando destaque á John Hamn (como Don Draper), January Jones (como Betty), Cristina Hendricks (como Joan). Belíssimo figurino, cenário igualmente e iluminação perfeita.
Desonestidade, traição, conflitos e traumas fazem parte do pacote; a série não perdoa.Vai á fundo. Junto com isso podemos nos divertir um pouco comparando aqueles tempos com os atuais e ficar imaginando, na pele nos personagens, "como seria viver daquela maneira?"...

Recomendo muito e já vou começar a 2ª temporada!



3 Comentários

  1. Obaa! Adoro dicas de séries novas! Me interessei *-*

    http://cajuland.blogspot.com.br

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    1. Vale a pena mesmo, Mad Men é maravilhoso!

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  2. Essa é uma série que eu tenho muita vontade de ver!

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